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Qual o propósito do político que nós precisamos nas eleições?

Qual o propósito do político que nós precisamos nas eleições?

Qual o propósito do político que nós precisamos nas eleições? Infelizmente, ninguém está se preocupando com isso. E posso dizer que essa deve ser a solução para o cenário das eleições em outubro. Qual é o propósito do candidato que deseja ser representante de seu povo?

Esqueça tudo aquilo que você conhece sobre a política no Brasil. Caso isso fosse possível, como poderíamos desenhar o candidato perfeito para todos? Existe essa possibilidade? Talvez. Ainda não sei, mesmo no campo hipotético. Porém, posso refletir sobre valores, moralidade e ética que acredito ser vetor para determinadas atitudes e comportamentos dignos.

Listarei aqui os valores que acredito em ordem decrescente. Assim aquilo que listarei por último, provavelmente, seja o valor mais valioso.

1) Competência e especialização

O nosso representante, seja ele candidato ao pleito executivo ou legislativo, precisa ter uma formação capaz de lhe dar competências em alguma área. Os especialistas têm mais condições de estabelecer soluções a curto prazo. Quanto maior for o grau de especialidade da pessoa, mais ela tem condições de criar planejamentos que levem em consideração a demanda da comunidade, bem como referências de planejamentos que deram certo em outras comunidades.

As especialidades são importantes porque elas estabelecem vivências e experiências com o fundamento da reflexão sobre suas práticas, além de suas ações relativas ao cenário socieconômico.

Exemplo disso é o caso de um assistente social que tem condições de criar ações para reintegração de excluídos. Claro que outras especialidades também podem ajudar, contribuir e / ou somar para o plano a ser aplicado. No entanto, o especialista tem condições de criar o plano central que permitirá ações, atividades e adaptações para a conquista de um resultado.

Não podemos esquecer que este não é o critério central para a escolha de seu voto, mas ele serve também para determinar a qualidade do voto.

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2) Propostas de curto prazo para necessidades emergenciais

Propostas de candidatos deve estar alinhados com as necessidades da comunidade. Atualmente, temos grande demanda pela segurança pública. Afinal de contas, a criminalidade está atingindo patamares assustadores. Tanto é verdade que no Rio de Janeiro os números de delitos registrados não sustenta a realidade. Muitas pessoas são assaltadas, furtadas, sofrem alguma opressão ilícita e não registram boletim de ocorrência. Isso sem levar em conta o número de assassinatos que beira os números de uma guerra civil.

Se você ainda se ilude sobre essa realidade violenta restrita ao cenário carioca, está enganado. Em Curitiba, vivemos um cerco violento. Focos de delitos estão assustando mesmo os moradores de regiões longe da periferia. Hoje em dia não existe região violenta. Toda a cidade está violenta.

Pouco aparato policial, poucos agentes de patrulha, pouca estrutura, pouco investimento na prevenção de crimes, poucos recursos na resolução de crimes. A segurança pública vive o sucateamento institucional. E esta responsabilidade está nas três esferas executivas. Tanto a prefeitura, quanto o governo do estado ou mesmo a União, não conseguem resolver os problemas relativos à segurança pública. Isso está cada vez mais comum nos grandes centros urbanos.

E isso só falando na segurança pública.

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Outro ponto de curto prazo, porém, pouco abordado é a volta da tuberculose. Doença, aparentemente, erradicada está de volta nas favelas do país. Estamos voltando a ambientes nocivos de doenças medievais. Isso por falta de saneamento básico nas comunidades carentes. A tuberculose pode ser uma bomba relógio.

Obviamente, o candidato que levar a sério o desmanche do aparato de corrupção e apoiar as instituições de combate à impunidade, também trará grande segurança ao povo.

Propostas de curto prazo são essenciais para resgatar a confiança do povo em seus representantes políticos. E este político perfeito para o pleito destas eleições, trará grande contribuição para a política.

3) Posições claras que sejam construtivas

Estas posições devem estar estampadas em suas ações e atividades. Obviamente, aqueles que não concordam com as escolhas do candidato no plano da ideologia, deve ser acolhido para o exercício do debate. E isso pode vir também do próprio candidato.

As posições claras não são definidas pela academia ou pela reflexão erudita de determinado plano filosófico. As posições podem até não ter bandeiras ideológicas, tal qual se posiciona até Marina Silva. Elas precisam estar calcadas em coerências propositivas.

Você é contra o aborto? Por quê? Qual o fundamento que define sua crença sobre isso? Quem é o vetor de seu ponto de vista? Como você construiu sua opinião sobre isso? Como você abordará isso no seu governo ou na sua plataforma de governança pública?

Estas questões definem uma clareza cristalina para qualquer assunto. Políticos que assumem estas questões de forma clara e definida dão grande segurança para quem se interessa.

Ciro Gomes (não é meu candidato), aponta a prática da governança institucional para preservar as matrizes energéticas no controle do Estado brasileiro.

Ciro Gomes paga o preço de suas posições claras. Ele defende as instituições estatais no controle do governo e também defende o ponto de vista de Lula como um preso político. Ele tem este direito, porém, paga o preço por estas posições.

Posições claras são difíceis de enfrentar, mas quando fundamentadas com argumentos lógicos, podem ser discutidos, tal como o posicionamento de Ciro sobre a governança adequada para as estatais brasileiras. Agora, quando você tem discursos ligados pela passionalidade, tal como o ponto de vista de Ciro sobre a prisão de Lula, você terá dificuldade em engajar pessoas.

4) Apoio a toda política contra corrupção

A política é um campo minado. Quanto mais se caminha na linha da política institucional, mais se descobre segredos e crimes dentro da máquina pública.

O candidato que quiser encantar as pessoas precisa defender as políticas de anti-corrupção, principalmente, com atividades de curto prazo e ações de apoio às instituições jurídicas.

Será que eu preciso comentar o descolamento do político no contexto corrupto?

Quanto maior o apoio contra a corrupção, maior será a segurança que o candidato dará a quem estiver propenso ao dar seu voto. A política hoje está desacreditada. Neste aspecto, o candidato não pode questionar, pelo menos num plano amplo, as ações que estejam fiscalizando o processo político.

O candidato também precisa criar um ambiente que oprima a corrupção. Quanto maior for a negação pelo governo de coalisão, melhor será suas escolhas perante as necessidades do povo. Mas como governar ou conquistar planos e ações que estejam concatenados com as necessidades do povo sem fazer parte de uma coalisão? Essa pergunta é respondida quando o candidato nega o sistema vigente que incubou o esquema de corrupção generalizado exposto na operação Lava Jato.

Há, portanto, a necessidade de responsabilidade por parte de toda a sociedade política. Do contrário, estaremos expulsando os políticos que estejam engajados com uma causa ou missão nobre de representatividade das necessidades da comunidade.

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5) Transparência total

Colada ao apoio às políticas de anti-corrupção, a transparência deve ser um compromisso fundamental. Quanto maior for a transparência do legislador ou do executivo do poder da administração pública, maior será a qualidade de sua prática política.

A transparência cria confiança no eleitor. E a política fica mais eficiente quando aberta em sua essência, tanto no âmbito público quanto no âmbito individual.

Os indivíduos agentes políticos, enquanto agentes públicos, precisam defender a transparência de suas contas. A abertura de seus ganhos, através de declarações de imposto de renda, relatório patrimonial antes de ocupar cargos públicos, divulgação de seus gastos com verbas governamentais, são comportamentos e atitudes nobres que trazem segurança para os eleitores.

Hoje há muitas ferramentas que o próprio governo constitui. A manutenção destes canais de transparência precisam ser mais usados, inclusive com descrições mais minuciosas sobre os investimentos públicos.

A transparência é a prova real da honestidade que o provável atuante na política deve exigir. Este agente político será bem mais valorizado, pois suas condutas não serão passíveis de distorções ou maldades na hora de um pleito.

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fonte: Nossa Causa

6) Propósito claro e engajador

Este quesito é o mais importante que preciso destacar dentro deste cenário. O político que tiver um propósito construirá uma rede de engajamento capaz de mudar a realidade de uma comunidade. Este propósito deve ser tão nobre ao ponto de encantar mesmo os conceitos ideológicos diversos e divergentes. Como?

Quando o propósito recai sobre os valores máximos de qualquer ambiente de cooperação e sociedade, ele transformará divergência em meros pontos de vistas adversos. Caso você ainda tenha dúvidas sobre esta possibilidade, basta você entender que não há corrente ideológica no mundo que sustente o poder de matar. Nenhum regime social prega a liberdade de matar o semelhante.

Pode ser um exemplo exagerado, mas precisamos fazer o exercício de encontrar a convergência sobre as divergências. Isso irá amainar as diferenças e tornar todos tolerantes uns aos outros. Pelo menos esta é a minha concepção de sociedade ao qual quero viver.

O propósito precisa estar além dos interesses individuais. Ele estabelece um senso de justiça e de entrega sobre os interesses egoístas. O propósito que prega a igualdade de oportunidades traz valores bastante desejosos por todos. Quando Zilda Arns estebeleceu o propósito de difundir a defesa dos direitos da criança e do adolescente, ela criou uma legião de engajados pela causa. Quando Mandela defendou o propósito da igualdade, mesmo ele sendo um legítimo preso político na África do Sul, acabou se tornando presidente dos sul-africanos.

O propósito está além de qualquer ambição individual. Ele eleva as expectativas quando propaga direitos cívicos para todos de forma igual. E este deve ser o espírito do político perfeito para nos representar.

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Por que não vemos líderes com propósito na política?

No entanto, as pessoas com propósitos claros e nobres pouco estão interessadas em entrar no jogo do poder. Para elas, o ambiente é nocivo e pouco atrativo para a construção de planos propositivos. Os líderes de propósito buscam agir a partir de entidades desvinculadas a políticas partidárias, pois enxergam um ambiente tóxico e pouco controlado pelos propósitos.

Os líderes com propósitos se descolam das interferências partidárias, pois não veem sentido no jogo de poder fomentado pelos outros agentes políticos. É estranho lutar pelo que consideram certo fazendo concessões ou relacionamentos de "troca-troca". Se aquilo é certo, por que devem negociar? Essa falta de sensibilidade por parte do plantel político faz os líderes com propósitos se afastarem da política. Uma pena.

Em qualquer eleição, você precisa estabelecer critérios capazes de dar qualidade a seu voto. Assim, aos poucos, teremos condições de criar um ambiente político que desejamos.

Quando todos tiverem a consciência de que o poder está no voto, os jogos do poder serão mínimos e as propostas políticas estarão calcadas em propósito. Líderes com propósito serão políticos e a política será para o povo e pelo povo. Pense nisso.

Estado Cidadão
Rafael Cardoso
Rafael Cardoso Seguir

Um cidadão que deixou de ser passivo para trazer luz e ambiente à discussão social e político.

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