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O mimimi de Batista faz a PGR continuar a novela

O mimimi de Batista faz a PGR continuar a novela

O mimimi de Batista faz a PGR continuar a novela. Infelizmente, uma delação que tudo pra dar certo? Não para de dar errado. Mesmo entendendo que há informações sigilosas, tenho minhas dúvidas sobre essa continuada tentativa de buscar provas contra Aécio Neves, Temer e o clã que orbita o Planalto.


Resultado de imagem para irmãos batistafonte: veja.com


Joesley, novamente, faz afirmações duvidosas sobre pagamento de mensalidade que caracteriza propina ao príncipe do PSDB. E para provar essa acusação, ele mostra pagamentos de 50 mil reais mensais à rádio Jovem Pan, franquia da rede de rádios paulista no estado de Minas Gerais que pertence ao neto de Tancredo.

A suposta propina para Aécio Neves

Acontece que já é notório o documento que prova a propaganda veiculado na JP mineira. Há notas fiscais que registram estes pagamentos. No entanto, há também prova de que as propagandas foram ao ar na radio das empresas de Joesley. E agora? Como configura a propina se o espaço publicitário foi ocupado? Como afirmar que a veiculação foi ato de propina se ela obedeceu todos os relacionamentos comerciais legais. Houve um pedido, um contrato de compra do espaço, uma veiculação, emissão de nota fiscal, impostos recolhidos e prova da entrega em censura pública.

Como provar a motivação da compra desta mídia? Aí que Joesley, provavelmente, afirma existir a corrupção. E se a linha de raciocínio for plausível para a PGR, ela poderá também acusar e linchar publicamente Roberto Carlos e Tony Ramos, dois garotos-propaganda da empresa antes das acusações relativas à operação Carne Fraca da Polícia Federal.


Imagem relacionadafonte: Geek publicidade


Já pensou ver o rei da Jovem Guarda explicando que a motivação de sua volta em consumir carne era fruto de propina? Ele foi corrupto ao comer aquele bife na propaganda veiculada exaustivamente nos meios de comunicação! Que bobagem, não acha?

Como você pode acompanhar em meus posts anteriores, não sou simpático a Aécio Neves, mas devemos ter parâmetros lógicos para criar uma opinião coerente. Até porque a justiça brasileira não demonstra um constante senso de sensatez. A onda do judiciário pode ser influenciada pela direção do tempo.

A responsabilidade da PGR

A responsabilidade da justiça brasileira precisa ser mais preservada. Isso porque, mesmo a JBS sendo uma empresa de conduta duvidosa perante o mercado que atua, tem grande expressão econômica no segmento nacional e internacional. O tamanho da empresa traz vagas de emprego de grande expressão para comunidades inteiras. Portanto, como percebemos ao longo dos meses, caso a empresa não tenha essa sensibilidade de se descolar dos irmãos Batista para preservar sua saúde no polo agropecuário, a justiça precisa deixar mais clara a relação ao qual é ponto fundamental de investigação.


Resultado de imagem para raquel dodgefonte: educadoraFM


Quando a PGR não deixa claro o que está acontecendo e permite que haja vazamentos seletivos de informações pertinentes à suposta delação dos irmãos, permite a especulação que desalinha o mercado. Raquel Dodge não pode cometer os mesmos pecados que o antigo procurador da república, inclusive porque ainda aparenta ser o remédio para o resgate da credibilidade da PGR. Mas a verdade é que ela não tem permissão de pecar, principalmente, por ser um resgate da importância desta entidade representativa dos interesses da Constituição Federal, e por consequência, dos interesses do povo.

Entendo também que a PGR não pode ser um local de prática política. Afinal de contas, a procuradoria geral precisa defender a lei por conta de sua excelência institucional de fiscalizar e cobrar a lei como fundamento de conduta cívica por conta de nossos representantes políticos. No entanto, sou tolerante com a conduta política necessária para defender algumas representações e processos. Não pode, no entanto, exagerar nesta conduta política sobrepondo o que diz a lei.

Quando há, novamente, o vazamento destas informações seletivas, deve-se ter a grandeza de compreender como verossímil por natureza a relevância destas informações, caso contrário, novamente, teremos a frustração de ver a PGR ser imbecilizada perante vontade de dois bilionários corruptos confessos.

Delação despremiada

A dificuldade de se continuar com esse processo de delação premiada dos irmãos Batista é grande. Isso porque a primeira delação foi completamente desacreditada, inclusive, anulada, apesar das provas ainda contarem nos autos como ativas. Com provas bastante frágeis sobre as acusações que Joesley fez, qualquer outra acusação que seja moeda de troca para condenação se torna mera especulação.

Outro problema bastante presente neste processo é a forma como as provas foram produzidas. Isso porque a justiça brasileira não reconhece provas produzidas com a interferência de outra pessoa, seja ela representante da lei ou outra natureza, como por exemplo a situação de um jornalista infiltrado.


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E não podemos deixar de lembrar a interferência de Marcelo Miller, ex-procurador que supostamente usou sua influência para ajudar os irmãos Batista no processo de delação. Fato que foi até lembrado por Gilmar Mendes, recentemente, em plenário do STF babando ódio contra uma atitude mais enfática por conta da PGR sobre o assunto. Raquel Dodge na mesma sessão disse que o processo contra Marcelo Miller está correndo em sigilo de justiça, mas em breve terá a representação confirmada no STF.

O que esperar daqui pra frente da PGR?

Devemos esperar o desenrolar na próxima semana do caso em questão. Isso porque Raquel Dodge parece bastante atenta aos movimentos da sociedade perante tais questões. Além disso, o STF também deverá se pronunciar, tal como sempre faz, nas vozes de alguns ministros mais comunicativos.

Fora que não podemos deixar de lembrar da histeria coletiva que a imprensa faz para conseguir um furo novo sobre os assuntos políticos em geral. Só espero que isso não seja mais um gatilho para aprofundar o buraco político cada vez mais profundo.

Se cair no buraco, agarre-se nos galhos da sensatez para não aumentar a sua velocidade de queda.

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Estado Cidadão
Rafael Cardoso
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Um cidadão que deixou de ser passivo para trazer luz e ambiente à discussão social e político.

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