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Bolsonaro pode ser o novo Getúlio Vargas: isso é possível?

Bolsonaro pode ser o novo Getúlio Vargas: isso é possível?

Bolsonaro caminha de forma veloz para a construção de um governo tão empolgante quanto a administração pública que Getúlio Vargas empregou no Estado brasileiro.

 

Obviamente, faz-se precoce (e de forma consciente) a comparação entre um político ainda a provar seu devido valor como gestor dentro do poder executivo. No entanto, tudo aquilo que se refere a Jair Bolsonaro, pode ser aferido também com aspectos estranhos aos olhos conservadores dos analistas políticos.

O fato é que o novo presidente do Brasil não pode ser avaliado conforme os parâmetros tradicionais. Por isso, sinto-me livre de defender a ideia de que Bolsonaro pode se tornar o maior presidente do período histórico da república beneficiado pelo contexto delicado que nosso país vive e como as atitudes previstas podem gerar consequências impactantes, tal como Getúlio Vargas.

Quem foi o presidente Getúlio Vargas?

Líder da revolução de 1930, Getúlio Vargas também era um político extremamente populista e levantava a bandeira anti-establishment. Tanto é verdade que ele enfrentou os barões da república velha e acabou se tornando um gestor público após o golpe que depôs Washington Luís e não permitiu a posse do eleito Júlio Prestes. 

Vargas, à revelia dos instrumentos democráticos, também tinha apoio de agentes que lideravam grupos representativos na sociedade. Este ponto, inclusive, foi um dos fatos que permitiram essa frente de enfrentamento, liderada por Vargas, contra todos aqueles que antes trancavam a imersão de novos protagonistas pelas portas e instrumentos da democracia. Isso é fato e contra fatos não há dúvidas. Basta ler os livros que registram eventos e fatos históricos.

Ler a conjuntura histórica permite compreender que todo movimento ou ciclo político parece viver uma espiral no tempo, porque eles voltam à tona associados pelas mesmas motivações. Porém, não é aqui neste texto que devemos aprofundar estas percepções antropológicas, sociológicas e, de forma leviana (se me permite o veneninho) antropofágicas, pela permissão que a nossa língua materna permite como metáfora.

O governo provisório de Vargas durou de 1930 a 1934, intitulado como chefe do "Governo Provisório". A partir disso, foi eleito presidente da república pela Assembleia Nacional Constituinte durante o período de 1934 a 1937. No entanto, em 1937 deu um golpe, novamente, assegurando a sua permanência em um regime ditatorial que foi sustentado até 1945.

O regime ditatorial de Vargas desgastou a visão que a população tinha do político e isso fez ele não sustentar mais sua hegemonia no poder tal como ficou por tantos anos.


Lembrete sobre ditadura

Lembre que todo regime ditatorial precisa ser costurado da mesma forma que qualquer outra representação legítima escolhida de forma democrática. Isso porque quando o governante institui ditadura, ele precisa ser corroborado pelos agentes que também controlam os outros poderes. Caso ele seja confrontado por representantes poderosos, precisa de sustentação de outras pessoas também poderosas para poder confrontar seus opositores. Um regime ditatorial só se sustenta se o ditador tiver uma engenharia de sustentação política para tal.

As ditaduras atuais são regidas desta forma. Não há um governo ditador sendo regido por um líder solitário. Há, portanto, um grupo que sustenta o ditador. Além disso, cada líder que sustenta o ditador também precisa ter representatividade política. Assim, ele controla sua base de apoio político.


O Estado Novo demonstrou como Vargas era ambicioso. Ele queria construir uma nação que tivesse autonomia diante um mundo conturbado. Era naquela época uma conjuntura mundial extremamente delicada. Às portas da Segunda Guerra Mundial, Vargas percebeu que o Brasil poderia emergir como uma nação que exploraria a instabilidade europeia por conta das consequências da Primeira Grande Guerra e à iminente continuação do conflito bélico com a ascensão de um cara bem doido chamado Hitler.

Quer ler mais sobre o cenário político que contribuiu para a permanência do Estado Novo por tanto tempo, clique aqui.

Vargas, em diferentes perspectivas, acabou se tornando o maior presidente da república. Ele era um visionário que construiu as bases fundamentais dos direitos trabalhistas que sustentaram até o ano de 2017 as leis trabalhistas vigentes.

O líder máximo do Estado Novo também foi importante para a construção da Petrobrás e de estruturas fundamentais para a construção de hidrelétricas mais importantes dos últimos anos em toda a América Latina, uma delas é a Vale do Rio Doce, hoje uma potência. Outra criação marcante foi a Companhia Siderúrgica Nacional, sem ofuscar outra realização importante, ou seja, a hidrelétrica do Vale do São Francisco.

Essas realizações foram relevantes para a construção do Estado brasileiro que perdura até hoje. Veja como o ditador criou os alicerces que sustentam certa autonomia brasileira perante o cenário mundial. Porém, estas realizações foram construídas sem qualquer instrumento político porque a ditadura perpetrada neste período foi bastante violenta e opressiva. Isso também não há dúvida.

Bolsonaro pode ser o novo Getúlio Vargas

Veja como a minha comparação sobre o líder do Estado Novo com o trigésimo oitavo presidente da república tem dois lados relevantes.

Jair Messias Bolsonaro teve muito trabalho para combater o ponto de vista contraditório que sustentava sua figura como um representante do movimento político criado por Benito Mussolini, na Itália de 1922, ou seja, o fascismo (neologismo que tem influência de pronúncia usando o x como fonema para a sílaba em destaque: fas - cis - mo.


O que é fascismo?

Segundo o dicionário:

que faz prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais e que é representado por um governo autocrático, centralizado na figura de um ditador

Quer saber mais sobre fascismo? Pode clicar neste link.


No entanto, criar uma ponto de similaridade entre Bolsonaro e Vargas, levando em consideração todas estas perspectivas negativas, é alimentar o medo que regeu as eleições 2018. Não é o caso aqui agora abordar esta perspectiva, afinal de contas, Bolsonaro ainda não deu pistas sobre motivações a este respeito. Apesar de suas declarações fortes, penso que ele apenas demonstrou sua reatividade truculenta, característica de sua personalidade, no exercício de confrontamento diante a máquina política e as incursões dos adversários.

Bolsonaro é diferente do ditador do Estado Novo

Obviamente, Bolsonaro se difere do posicionamento que Getúlio Vargas assumiu desde o início de sua participação dentro do governo brasileiro. Quem entra no Palácio do Planalto pela viés contrária aos instrumentos democráticos, não tem o ideal apoio da população.

Tenho crença que qualquer regime ditatorial, hoje em dia, é inviável sob todos os aspectos porque a informação é instantânea. Na sociedade líquida de Zygmunt Bauman, a internet e as redes sociais criaram uma conexão muito mais veloz que as percepções sociais dos agentes que produzem informação.

Por isso, há também exemplos de movimentos sociais originados pelos grupos de cidadãos que convergem em ideais similares aos interesses coletivos. Um grande exemplo disso foi a impressionante Greve dos Caminhoneiros. Caso haja necessidade de confrontamento contra regimes ditatoriais, a população tem instrumentos de combates muito mais eficientes que a guerra pelas armas. Quem consegue guerrear sem o transporte de produtos essenciais para o abastecimento dos centros urbanos? Lembre do caos que aconteceu a partir do dia 21 de maio de 2018, em pleno governo Michel Temer.

Hoje, o ditador é capaz de morrer de fome no palácio de seu reinado. Não há como a população aceitar regimes violentos.

Bolsonaro é diferente de Getúlio Vargas porque não começou seu governo impondo seu ponto de vista. Ele caminhou pelo calvário político através das diversas desconstruções sofridas ao longo de anos. Ele era chacota nos grupos do poder legislativo. Ele era fonte de piada pronta para os programas de humor como o falecido e falido CQC, veiculado na BandTV tempos atrás.

O capitão da reserva sempre foi polêmico, assim como qualquer YouTuber de sucesso, regimentando fãs, inscritos, seguidores, engajando pessoas pelo instrumento das redes sociais, defendendo pontos de vistas polêmicos para aqueles que divergiam de suas opiniões.

O trigésimo presidente do Brasil, eleito nas eleições 2018 pelo instrumento democrático do voto direto, não precisou dar golpe para enfrentar as tradicionais oligarquias políticas centenárias que sempre excluíram ele da sua panelinha.

Este posicionamento de comunicação, ponto fulcro dentro do sucesso de sua candidatura, fez de Bolsonaro o presidente que traz a quebra de paradigmas dentro da máquina viciada da gestão pública. Esse ponto de vista que trago é justamente pelas divulgações que estão acontecendo todos os dias sobre as pessoas escolhidas para ocupar cargos importantes no processo de transição para a posse do eleito das eleições 2018.

Os notáveis do governo Bolsonaro

Paulo Guedes será o super ministro da economia

Onyx Lorenzoni será o ministro da Casa Civil

General Augusto Heleno - Ministério da Defesa

Marcos Pontes - Ministério da Ciência e Tecnologia

O maior sonho de Bolsonaro é Sergio Moro

Hoje poderá ser anunciada a maior conquista de Bolsonaro diante as perspectivas de um governo poderoso para a gestão 2019-2022. Hoje o juiz de primeira instância da 13ª Vara Criminal de Curitiba, Sergio Moro, poderá ser anunciado como o novo ministro da justiça do governo brasileiro a partir de 2019.

Essa notícia poderá fortalecer, politicamente ainda mais, Jair Bolsonaro por alinhar suas promessas de campanha com as ações dentro de um espectro ideal de combate à corrupção. Com Sérgio Moro na pasta ministerial da justiça, o controle sobre as principais instituições protagonistas dos resultados relativos à Lava Jato.

Sérgio Moro se tornou um fenômeno popular por encabeçar a força-tarefa das operações de justiça associadas à Lava-Jato. Ele se tornou protagonista de condenações relevantes dos protagonistas que formataram o esquema chamado Petrolão. Vaccari Neto, Delúbio Soares, Marcelo Odebrecht, Alberto Youssef, André Vargas, Dalton do Santos Avancini, Eduardo Cunha, Eduardo Musa, Fernando Schahin, Gim Argello, Jorge Luiz Zelada, João Santana, José Dirceu, Mônica Moura, Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa, Renato de Souza Duque, entre tantos outros políticos, empresários, agentes governamentais, legisladores, administradores e diretores de estatais, ex-ministros, senador, e até um ex-presidente (pelo menos por enquanto).

Sérgio Moro se tornou o espelho do anti-petismo ao enfrentar e condenar pela ordem da lei, o ex-presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva. Por isso, há tanta relevância sobre a decisão dele compor a chefia do ministério da justiça.

Moro terá poderes imensos e controle direto sobre a polícia federal, os serviços de inteligência das instituições governamentais com poder de investigação. Ele terá também grande experiência e expertise sobre todas as amarras que sofreu dentro das investigações ainda em curso dentro do Ministério Público Federal.

Moro será o agente de combate direto da corrupção que controlou as instituições públicas regidas nas últimas gestões do poder máximo do poder executivo.

A decisão positiva de Sergio Moro para o Ministério da Justiça será o ponto de grande impacto no início da gestão de Bolsonaro. Essa perspectiva muda a força popular do candidato que sofreu ataques contínuos sobre suas escolhas ditas fascistas.

Bolsonaro demonstra desapego ao poder ao dar imensos poderes aos ministros já consolidadas. Isso porque ele está unindo diversos ministérios dentro de pastas de gerenciamento que possam trazer resultados a partir de estratégias integradas de gestão pública. Este tipo de gestão também é uma quebra de paradigma porque cria novos valores e pontos de vistas sobre formas de trabalho já tradicionais.

E agora é ver para crer como estas decisões podem trazer a similaridade de Bolsonaro nas ações positivas construídas por Getúlio Vargas. Distanciando-se dos pecados do líder do Estado Novo, Bolsonaro será um importante presidente. Espero que essa perspectiva esteja correta porque, novamente, há também o lado negro desta comparação.

E você concorda com esse ponto de vista? Pode comentar aqui. Espero promover uma discussão sadia e positiva diante a análise do contexto político atual.

 

Estado Cidadão
Rafael Cardoso
Rafael Cardoso Seguir

Um cidadão que deixou de ser passivo para trazer luz e ambiente à discussão social e político.

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