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Atentado a Bolsonaro precisa de respostas

Atentado a Bolsonaro precisa de respostas

O atentado a Bolsonaro está levantando mais perguntas que respostas. Quanto mais temos acesso a informações relativas ao atentado, mais se questionam a estranheza sobre fatos que não corroboram com a tese de insanidade mental.

Adélio Bispo de Oliveira não aparenta ser uma pessoa tomada de demência ao ponto de desferir uma faca na barriga de Bolsonaro em caráter enlouquecido. Em depoimento, recentemente, divulgado pela mídia, percebe-se como ele até faz colocações inteligentes sobre questionamentos proferidos pela juíza responsável no inquérito e pela promotora.


Aqui estão as principais questões relativas ao episódio:

1) Como Adélio Bispo de Oliveira ficou tanto tempo hospedado em pensão sem qualquer renda?


2) Como um servente de pedreiro tinha 6 celulares e um notebook?


3) Por que o agressor tinha a faca enrolada em plástico até o momento da estocada?


4) Por que ele estaria ali em Juiz de Fora, coincidindo com a agenda de Bolsonaro, sem premeditar e calcular o ato?


5) Como tantos advogados de expressão na sociedade mineira se prontificaram a atender o servente de pedreiro sem divulgar com clareza a motivação de serviços tão caros e onerosos a uma pessoa dita humilde?


6) Como o agressor chegou tão perto de Bolsonaro no meio de uma calorosa multidão sem levantar suspeitas?


7) Por que Adélio se refere ao atentado distanciando sua atitude do protagonismo e às vezes até usando a terceira pessoa do plural do caso reto para fazer sentido a suas frases? Sabe qual é o pronome pessoal do caso reto em terceira pessoa do plural? Nós.



Perguntas como estas levam em questão a tese de ser um lobo solitário, tal como o ministro da segurança pública se apressou em taxar o agressor. Aliás, é bastante nocivo compreender que Raul Jungmann tenha tanta presteza em resolver as questões relativas ao atentado sem se ater à responsabilidade do cargo que ocupa.

Declarações de um investigador de sofá

Raul Jungmann, logo após a ocorrência do atentado a Bolsonaro, decidiu soltar a nota oficial sobre o episódio. Segundo o ministro, tratava-se de uma ocorrência protagonizada por um "lobo solitário". Obviamente, ele tinha muito mais informações que as testemunhas do evento. Assim, ele rapidamente havia resolvido o caso, assim como Sherlock Holmes também seria capaz, não é mesmo, meu caro Watson?

Seria ele o Xangô de Baker Street? Calma, ministro. As coisas não são tão simples assim, não acha? Fazer conjecturas relativas a investigações que ainda estão se assentando sobre os fatos podem mudar a perspectiva de quem quer também saber a verdade.

Entendo que as autoridades tenham se preocupado em conter a passionalidade que o episódio desencadeou. No entanto, ao contrário do que se poderia imaginar, mesmo com os pontapés e socos iniciais, Adélio Bispo de Oliveira saiu sem maiores escoriações em relação à gravidade do momento.


Leia também:

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Resta compreender em que pé estão as investigações para a resolução definitiva deste mistério. Afinal de contas, independente de ideologia, deve-se apurar com extrema veemência este atentado para coibir e prever novas ações como esta para o presente das eleições 2018 e para o futuro das disputas eleitorais.

O atentado a Bolsonaro não pode repetir a apatia da justiça brasileira, pois até hoje não se tem respostas concretas sobre os inúmeros casos de ódio e violência que estão ocorrendo, inclusive o assassinato de Marielle Franco, a vereadora do PSOL morta a tiros no Rio de Janeiro.

Que outras respostas este caso deve responder? Você pode comentar aqui e ajudar a levantar questões nebulosas neste atentado a Bolsonaro.

Estado Cidadão
Rafael Cardoso
Rafael Cardoso Seguir

Um cidadão que deixou de ser passivo para trazer luz e ambiente à discussão social e político.

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