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Álvaro Dias derreteu no oceano das eleições 2018

Álvaro Dias derreteu no oceano das eleições 2018

Álvaro Dias conseguiu evaporar mais rápido que Marina Silva nas pesquisas e foi superado pelo novato João Amoêdo. Como é possível um candidato ter tantas expectativas sobre si e descobrir que nada era como ele havia imaginado?

O candidato do PODEMOS fez tudo para criar uma candidatura expressiva. No entanto, Álvaro Dias está derretendo dentro do seu próprio Estado. Afinal de contas, porque o Titanic do candidato afundou antes de bater no iceberg?

Dá para perceber, mesmo nesta altura prematura das eleições 2018, que o candidato paranaense cometeu erros fundamentais para fazer uma autossabotagem pouco vista. No desespero da arrancada, o ansioso candidato queimou a largada. Quer saber como?

Primeiro erro - pensar que era Bolsonaro

Álvaro Dias não quis ou não conseguiu por conta de sua proposta extremamente egocêntrica sobre a candidatura à presidência da república. Ele negou alianças que pudessem compor uma vice-presidência.

O candidato do PODEMOS queria mesmo era ser o cabeça de chapa. Tentou convencer algumas figuras, tal como Marina Silva e até Geraldo Alckmin, para serem vices de sua candidatura nas eleições 2018. Porém, nada conseguiu e acabou arriscando ficar isolado, tal como Bolsonaro estaria apontando há pelo menos 1 ano antes deste período. Se Bolsonaro pode, eu também posso, e todos PODEMOS (desculpe o trocadilho).

Segundo erro - divulgou Moro como ministro da justiça

A dificuldade maior seria na verdade convencer o juiz da primeira instância do poder judiciário a ser mesmo. No entanto, Moro nunca sinalizou sequer intenção a ser ministro de qualquer coisa.

Álvaro Dias provocou um constrangimento no primeiro dia, ante uma convenção tímida realizada na capital parananense para lançamento de sua candidatura. O ex-governador do Paraná só esqueceu de combinar com o juiz responsável pela Lava-Jato. Isso na primeira semana em frente ao primeiro holofote do primeiro debate pela televisão. Álvaro Dias queimou a largada na largada.

Terceiro erro - sem propósito

Álvaro Dias parecia ser o candidato mais demagogo de todos. Isso até Ciro Gomes inventar o Ciro Cred. O primeiro debate também contribuiu para a revelação de grandes dificuldades para argumentar ideias primitivas relativas a problemas crônicos da sociedade brasileira.

O ex-governador ficou tão distante do eleitorado que até na sua região acabou perdendo uma força enorme, mesmo que as forças políticas oligárquicas do Paraná chancelassem sua candidatura. Pelo menos até o fenômeno Bolsonaro entrar no Estado paranaense com a força dos influenciadores digitais.

Quarto erro - fraco marketing pessoal

Se Álvaro Dias fosse uma pessoa que precisasse defender um negócio, seria sofrível e morreria pobre. Como é fraco para defender sua obra. Além de sua fraqueza evidente dentro da sustentação de ideias, ele não consegue dar credibilidade para a população, mesmo com boas sinalizações de formadores de opinião rasgando elogios.

Álvaro Dias consegue ficar fora até das aferições visuais nos principais órgãos de jornalismo nacional, pois nem nos gráficos acaba aparecendo. Álvaro faz fracas defesas de sua obra e não conquista, apesar da larga experiência no executivo e no legislativo.

Quinto erro - posicionar-se como um PSDB

Se Geraldo Alckmin é um picolé de chuchu, Álvaro quer chegar neste nível. Veja como é complicada a posição de comunicação de um candidato que carrega em seu DNA os vícios dos tucanos. Álvaro até nem esconde sua afinidade pela política blasè.

Ele é candidato, mas às vezes, ele pode apoiar a candidatura nobre de Amoêdo que não tinha espaço nos debates televisivos. Isso é possível? Claro, para um tucano, o mais importante é sempre manter as aparências, mais do que a sustentação da divergência contrapondo a expectativa do voto alheio.

Sexto erro - fechar um bloco político sem plano B

O plano B seria um outro candidato que pudesse lhe ajudar no próprio canteiro. No entanto, o candidato do PODEMOS não conseguiu conquistar o eleitor de preferência do favorito para o governo do Estado do Paraná.

Ratinho Jr. começou simpatizando com a candidatura do ex-governador, mas deixou de dar atenção ao candidato do PODEMOS porque Bolsonaro parece agregar mais votos. Logo, Álvaro Dias, triste, ficou sem um apoio de boa representatividade eleitoral.

Álvaro Dias foi responsável pelo abandono do irmão, bem cotado nas pesquisas eleitorais para o governo do Estado, nestas eleições 2018. Para fechar uma boa parceria com o filho do apresentador popular do SBT, Álvaro Dias cortou a candidatura do irmão e apostou as fichas nesta parceria. Que pena. Osmar Dias deve estar super feliz de fazer parte desta pataquada.

Álvaro Dias agora ficará fora dos cargos políticos do legislativo. E agora? O que fazer? Entregar currículos depois das eleições? Uma coisa é certa: seja qual for o caminho de Álvaro Dias depois das eleições 2018, irá precisar de um cursinho de coach para tentar a vida fora da vida política.

Estado Cidadão
Rafael Cardoso
Rafael Cardoso Seguir

Um cidadão que deixou de ser passivo para trazer luz e ambiente à discussão social e político.

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