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A qualidade do debate na política pode ser o berço de uma guerra civil

A qualidade do debate na política pode ser o berço de uma guerra civil

A qualidade do debate na política pode ser o berço de uma guerra civil. Isso porque quanto mais se fala de política, mais se há aumento da temperatura que rege as polarizações. Sem a menor dúvida, as instituições políticas estão criando uma atmosfera bastante preocupante, pois incentiva com a insegurança política e a insegurança jurídica.

Quando um país não estabelece critérios para o bom senso em qualquer debate político, os grupos deixam de argumentar em busca da unidade para articular ações de imposição sobre suas vontades. Quem duvida de um latente cenário de instabilidade política que incentiva a violência, constantemente, na intimidade da sociedade, deve começar a perceber que isso já está acontecendo.



Quando o debate sai da seara da ideologia, em conformidade com o conflito pela sustentação de argumentos, temos embates opressivos. E a opressão indifere da ideologia, porque ela estabelece a imposição pela força, seja em caráter de subjugação social, física, psicológica ou econômica, ou tudo isso junto.

O caso do aluno expulso da sala de aula em Fortaleza criou uma série de eventos posteriores terríveis para as pessoas que protagonizaram esse momento. Isso porque há neste momento uma campanha, usando o discurso da defesa pela honra do aluno, para difamar o professor. Inclusive, em alguns vídeos de pessoas que falam do assunto, criam discursos inflamados acusando o professor de ser um criminoso por estar filiado ao PSOL.

O que vemos neste episódio é a violência pautando o debate dos dois lados. O que deveria ser um ensaio para a cidadania no ambiente propicio para os valores cívicos, acabou virando caso de polícia. 



Outro exemplo disso aconteceu numa universidade, pois o debate pautado pelo conflito deixou de ser um exercício de argumentação para se transformar em ação opressiva por quem estava com o poder e a autoridade na mão.

Isso também demonstra como as pessoas que sustentam o argumento da defesa de liberdade podem cair na vala quando assumem o comportamento que tanto condenam. A professora deixou de tolerar o ponto de vista divergente para assumir um posicionamento de intolerância. Aliás, as universidades estão cada vez mais promovendo, através de corpos docentes, políticas educacionais distorcidas ao negarem o direito ao debate, principalmente, justificando tais atitudes como consequência do movimento político que iniciou a instabilidade política e jurídica em 2016, ao qual denominam Golpe.

A guerra civil americana ou a Guerra da Secessão

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Resumindo. A guerra civil dos EUA começou por conta da divergência política acerca a eleição de Abraham Lincoln pelos países do sul. Longe de comparar o estadista americano com o deprimente Michel Temer, não podemos evitar a mínima aproximação da intolerância dos incautos petistas e seus aliados pelo sistema político, tal qual aconteceu na Guerra da Secessão.

Enquanto lá houve uma guerra sangrenta pautada pela intolerância sociocultural, aqui cria-se uma lamentação por conta de uma consequência construída pelo grupo majoritário que se desmantelou com o impeachment de Dilma Rousseff.

No entanto, mesmo os argumentos divergentes sendo, eticamente, confusos, os americanos sofrem uma guerra civil que não começa na declaração do primeiro estado americano Carolina do Sul em 1860. As divergências políticas entre grupos regionais americanos já se arrastavam por mais de 5 anos.

Outros eventos como a Guerra Civil Espanhola também podem ser exemplos de movimentos instáveis que começaram anos antes com a divergência e a intolerância no foco do debate político. No caso do século XXI, temos a internet para potencializar mais ainda o eco raivoso da polarização. Isso quer dizer que se naquela época, com as limitações de comunicação que eram realidade naquele momento, já houve um cenário de incubação para o conflito armado, imagine no mundo de um Brasil aonde a comunicação é instantânea.

A polarização ideológica em outros lugares

O curso sobre o Golpe de 2016, institucionalizado em algumas universidades federais, demonstra como estamos atingindo patamares além do discurso ébrio das ruas, seja para um lado ou para outro. E este cenário está se espalhando nas salas de aula. Isso quer dizer que as discussões e divergências, antes particulares da sociedade sociopartidária, hoje estão corroboradas por entidades, instituições e organismos da sociedade.

Marco Antonio Villa, historiador, escritor e integrante do programa de rádio da Jovem pan Jornal da Manhã, disse que estamos à beira de uma instabilidade profunda. Motivado pela decisão da segunda turma do STF sobre o caso do sítio de Atibaia, processo que incrimina novamente Lula, Villa argumentou que se isso se manter como prática política dentro do STF, as casernas poderão se levantar mais uma vez.

A polarização está em todos os ambientes. Infelizmente. Defendo o debate sem haver a polarização pautada pela intolerância. No entanto, vejo que sou somente um romântico, porque a raiva parece ser maior do que o compromisso com a democracia.

A intolerância é crescente no Brasil. Isso é fato. E, provavelmente, só com um governo protagonista, poderemos ter certa esperança após o resultado das eleições neste ano. Do contrário, teremos um caminho de ruptura que colocará a democracia à prova no Brasil.

Estado Cidadão
Rafael Cardoso
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Um cidadão que deixou de ser passivo para trazer luz e ambiente à discussão social e político.

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